quarta-feira, 22 de junho de 2011

Cansaço

Palavras escritas na madrugada, numas das muitas madrugadas em que so me restam as palavras e nada mais...




Cansaço


Me sinto cansada, de ser eu mesma
dos mesmos dilemas e vivências
com vontade de me entregar a solidão
e esquecer-me de tudo,  até mesmo de mim
Cansada das esperas e desencontros
Das lágrimas e ilusões
De querer ser alguém que nunca poderei ser
Cansada de esperar,De ter esperanças 
De ser um livro aberto
Enquanto o mundo rasga minhas paginas
Sem piedade, sem zê-lo.
Cansada de ter pena de mim mesma 
e de enfrentar minhas culpas e medos
Cansada de desejos insaciáveis
Fome, sexo, carinho, compreensão, amizade
Cansada das perguntas e indagações
De desconhecidos, dos que se dizem amigos
E nada sabem e nem se importam
Cansada de abrir meu coração 
E quando penso cicatrizar as feridas 
vê-las reabrirem queimando minha carne
Dilacerando minha alma
Cansada por não perceberem que quanto estou triste me sinto segura
Protegida pela solidão
Porque esta triste não é esta infeliz
E sim esta mais próximo de si mesmo
E sozinha não existem mascaras
não existe dor
não existe medo
Apenas o cansaço de não poder
ser eu mesma com mais ninguém
Porque para arriscar, tentar, querer, desejar...
Sonhar..
Só me resta o cansaço.


E qual foi a minha surpresa encontrar num dos poetas preferidos tais sentimentos refletidos. Quem dera eu ter tal destreza e sabedoria para assim como ele definir tão docemente uma sensação tão incomoda. Embora separados pela geografia e pelo tempo, pela sabedoria que só ele Fernando pessoa tinha com as palavras me sinto feliz por não está tão só em relação ao que sinto e a como me vejo neste mundo.

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço... Álvaro de Campos


Um comentário:

  1. massa, gostei, to cansado de um monte de coisa tbm,
    + nada q tenha em comum com o texto...


    BY: Fred

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