segunda-feira, 2 de julho de 2012

Os filmes da Disney são bons para seus filhos?



Antes de observar mais criticamente os desenhos animados Giroux os considerava apenas sobre o ponto de vista do lúdico e forma de entretenimento observando-os percebeu que estes limites eram além. Constatando assim que os desenhos animados são também instrumentos de ensino e produtores de cultura inspirando e legitimando papéis, valores e ideais. 

“Ao contrário da muitas vezes obstinada e triste realidade escolar, os filme para crianças fornecem um espaço visual hig-tech, onde a aventura e prazer se encontram num fantasioso mundo de possibilidades e numa espera comercial de consumismo e comodismo.” (GIROUX, 90 p)

A partir da experiência de seus filhos com os filmes da Disney o autor resinificou sua atenção a eles. Observando inclusive que, a Disney esta intrínseca na cultura americana tanto na sua opinião publica quanto na política e econômica, tendo forte reputação, ideologia e poder mitológico que vem de varias fontes. 
“A imagem da Disney como um ícone da cultura americana é consstantemente reforçada através da penetração do império da Disney em cada aspecto da sua vida social.” 
A Disney produz modelos que se inserem em vários ramos da sociedade,através de sua visão nostálgica do passado vai moldando o futuro e construindo uma memória publica. 
“O teórico francês Jean Baudrillard captou o escopo e a força da influência da Disney argumentando que a Disneylândia é mais ‘real’ que fantasia porque ela ela agora fornece a imagem na qual a América se constrói.” 

Os desenhos da Disney carecem de um debate mais profundo por moldar a infância e a sociedade analisando os seus roteiros, propósitos, narrativas e papeis que legitimam e definem a vida americana.Os filmes da Disney preparam as crianças para o consumismo e moldam muito seu senso de realidade de forma “inocente” com sua ideologia de “Reino Encantado”. O autor analisa os filmes a partir de 1989 aferindo-os a responsabilidade de influência pela grande bilheteria e por ser uma introdução ao mundo da Disney, sendo essencial que pais, professores e adultos os vejam de uma forma mais critica. Os mais recentes filmes da Disney favorecem a inserção da criança na cultura consumista, de prazer entretenimento e proteção. Sendo responsáveis por vendas de vários produtos de consumo. 

Analisar criticamente os efeitos do filme da Disney não se constituí num trabalho de depreciação até mesmo porque eles tem uma renda muito grande com suas produções. 
“Como os desenhos animados da Disney produzem uma multidão de vilões e heroínas exóticos e estereotipados, eles são repletos de fantasia” 
A Disney produz seus filmes nos mais altos padrões artísticos seduzindo seu publico de forma obscura e contraditória. Em filmes como “A Pequena Sereia” e “O Rei Leão” vemos o reforço negativo estereotipado de mulheres e meninas, geralmente submissas, e o macho como dominante, moldes repetidos em todos os desenhos animados. Em “Aladim”, ele é visto como o jovem vagabundo e Jasmine têm sua vida definida pelos homens e seu final feliz assegurado por Aladim. Em “A bela e a fera” a mulher é vista como excêntrica, é assediada e dedica seu amor a uma fera que a manteve cativa. 
“Belle simplesmente se torna outra mulher cuja vida era estimada por resolver os problemas de um homem.” 
Violentos, em “O Rei Leão” , todos os soberanos do reino são machos e é curioso como a ausência da mãe é marcante na maioria dos filmes. O estereotipo racial vêm à tona em muitos desenhos tratando pessoas de cor depreciativamente e os nativos americanos como violentos. 
Aladim traz em sua abertura uma música extremamente racista a cultura árabe. Estudiosos fizeram campanha contra o racismo presente em Aladim, a Disney não se mostrou atenta a isso, mais depois de atentados que ocorreram chegaram a alterar alguns versos das canções permanecendo ainda má pronuncia, codificação racial aos sotaques e rabiscos descrevendo a escrita. 

Pocahontas transforma o ato histórico de barbarismo colonial num romance machista e racista dos americanos nativos. 

“Vale a pena notar que o racismo presente nos desenhos animados da Disney não aparece simplesmente em imagem negativa ou através de uma falsa impressão histórica; a ideologia racista também aparece nos sotaques e na linguagem racialmente codificada.”

“Para as crianças, as mensagens contidas nos desenhos animados da Disney sugerem que problemas sociais, tais como a história do racismo, o genocídio dos americanos nativos, o sexismo reinante e a crise da vida democrática pública são simplesmente decididos através das leis da natureza.” 

Giroux destaca algumas lições que devem ser observadas ao analisar os filmes da Disney: Levar a sério os mecanismos que a Disney usa para vender mercadoria e ensinar valores; Educadores, pais, comunidades em geral devem estar atentos para as mensagens que os desenhos animados passam. 

“O cerco da Disney alcançando todas as esferas da economia, consumo e cultura, sugere que a analisemos num âmbito de relações de poder.”  

“... em vez de negar, o há muito estagnado relacionamento entre entretenimento e pedagogia, os profissionais da cultura e educadores precisam reinserir o político e o pedagógico no discurso do entretenimento.”  

“Além disso, filmes como esses precisam ser analisados não apenas pelo que dizem, mas também pela forma como são usados e aprendidos pelas platéias adultas e grupos de crianças dentro de diversos contextos nacionais e internacionais.”  

“... é pedagogicamente imperativo que pais, educadores e profissionais da cultura estejam atentos a como esses filmes da Disney e a mídia visual são usados e entendidos diferentemente por diversos grupos de crianças.” 

O Autor finaliza constatando que a Disney tem grande influencia e força na cultura americana e como tal deve ser responsabilizada pelo que diz em termos políticos e éticos.



GIROUX, H. Os filmes da Disney são bons para seus filhos? In: STEINBERG, S. R. & KINCHELOE, J. L. (orgs.). Cultura infantil: A construção corporativa da infância. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira.Tradução de George Eduardo Bricio. 89-108p.



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