terça-feira, 5 de março de 2013

Arrocha, preconceito e as expressões artísticas.

Quando pensei em escrever este texto me veio à mente primeiramente o preconceito musical com o chamado brega, arrocha, pagode e entre outros.  No entanto, percebo que a raiz do problema está bem além da música envolve tradições e costumes, status quo e muito proselitismo. E isso perpassa pelas diversas expressões artísticas que até
chegar ao gosto da elite sofre para ter o simples direito de existir e ter a aceitação ou não das demais pessoas. Afinal de contas não é de tudo que vamos gostar ou desgostar nessa vida.
Penso também nos estereótipos criados como o do menino que só porque dança ballet é gay, o pagodeiro é malandro, a menina que gosta de pagode é periguete, o roqueiro é do diabo e muitos e tantos outros que poderia aqui citar. Lembro-me de uma época em que menina não podia fazer Karatê porque era coisa de homem. É engraçada essa ilusão que a pós-modernidade e a globalização nos dá de que tudo é permitido e possível, principalmente quando vemos na prática que estes preconceitos só mudam de nome ou de alvo mais continuam a existir.
E nesse momento eu queria me expor e falar do estigma que criei com o Arrocha. Não conseguia sequer ouvir e só faltava matar a empregada da vizinha quando ligava Silvano Sales e Pablo no maior volume.  Não que fosse contra, mas não  gostava de ouvir,  olhava o Arrocha como um plágio das músicas de sucesso cadenciados em um ritmo chato. Mas, o Arrocha não se resume a isso e nem a esta explosão musical que cai no gosto da elite, da mídia e que cada dia ganha um cantor novo contando as vantagens e desvantagens do automóvel adquirido.
Lembro de quando vi o arrocha em sua mais humilde origem e expressão de um povo que não tinha voz, dinheiro para se fazer presente nas grandes festas de clube e camisas. Lembro-me e nunca vou esquecer daqueles casais dançando, homens e mulheres trabalhadores rurais , bailando ao som de um tecladista sem medo algum de se mostrar e ser feliz. Não era dança com a técnica que é assimilada hoje nas academias. Era dançar por viver, por ser e poder naquele momento ser feliz.  E eu me pergunto sobre o que fizemos com este movimento se de fato estamos o respeitando e aceitando como um novo estilo musical ou fomos vencido pela voz do povo, dos oprimidos que não se calaram e mostraram que podiam sim fazer música, Sem precisar dos grandes estúdios musicais e equalizadores, sem depender dos clipes altamente produzidos.
Penso que eles venceram e não falo dos cantores de agora mais daqueles que começaram o movimento como o Silvano Salles, o Pablo, a Nara gosta, o Asas livres e entre outros. Eles e o povo que uníssonos e resistentes não desistiram de ser quem são e mostrar sua arte. Não desistiram de se expressar, de dar voz aqueles que estavam sem. E um ponto positivo que percebo no arrocha é que as músicas um sua maioria falam de amor, principalmente o arrocha de raiz.
Engraçado que hoje além de ouvir, eu também gosto de dançar o arrocha. E indico para liberar o stress, a ansiedade, junto com a dança de salão têm sido uma ótima terapia. E é engraçado como estes movimentos acabam impregnando culturalmente como foi com a tropicália, com o axé music, com o sertanejo.  E mesmo sem querer  a gente se pega dançando ou cantarolando uma canção. Mesmo que seja na hora da curtição com os amigos ou diante de uma fossa ou mesa de bar essas músicas e movimentos refletem a subjetividade de um povo em determinada época ou localidade.
Só não podemos deixar de fazer menção a origem do movimento em candeias na Bahia que tornava as musicas das serestas e românticas e as reinventava.  Dos bailes que aconteciam em clubes sociais de bairros humildes de Salvador e do interior da Bahia, um movimento da periferia que foi  sim marginalizado pela elite social e hoje parece o abraçar.
E para concluir, não podia deixar de parafrasear palavras de um professor neste ultimo semestre de filosofia, quando conversávamos sobre música e arte. “Aonde de fato está a inteligência musical naquele que compõe uma bela sinfonia e agrada os ouvidos dos entendidos. Ou, naquele que consegue ouvir as angústias e amores do povo e traduzir isso em uma rima e uma canção”. E não é porque alguém ouve arrocha que não escute Mozart, Guns N’ Roses e por aí vai. Chega de preconceitos, vamos viver, ser feliz, dançar. Viva ao povo!

Não costumo fazer isso. Mas, aproveito o espaço para fazer a propaganda das aulas de Arrocha e Sertanejo Universitário agora na Academia Acqua Center com o Professor Chrystian Guedes. Todas as terças e quintas. A Primeira aula no dia 12 será com banda ao vivo ZAKMARIANO.


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